quarta-feira, junho 16, 2021
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Baixa estatura pode atrapalhar prática de algumas modalidades esportivas?

Ortopedista explica como identificar nas crianças se a variação do crescimento vem do histórico familiar ou pode ser um problema e como o esporte pode ser benéfico

euatleta coluna ana paula baixa estatura altura (Foto: Getty Images)

Estatura baixa pode ser variante de crescimento normal ou uma doença(Foto: Getty Images)

Como ortopedista, recebo muitos pacientes e pais ansiosos querendo saber se os filhos serão baixinhos e qual o prognóstico de crescimento dos mesmos. A ideia de falar sobre baixa estatura é esclarecer alguns aspectos e saber identificar as causas de uma possível doença.

A baixa estatura é um termo aplicado a uma criança cuja altura é de 2 desvios-padrão (DP) ou mais abaixo da média para crianças do mesmo gênero e idade cronológica (e, idealmente, do mesmo grupo étnico-racial). Isso corresponde a uma altura que é inferior ao percentil, aquela tabela que todo pediatra faz. A estatura baixa pode ser uma variante de crescimento normal ou provocada por uma doença.

Causas/ Incidências/ Tipos
As causas mais comuns de baixa estatura no primeiro ou segundo ano de vida são familiares (genética) e retardo de crescimento (constitucional), que são variantes não-patológicas normais de crescimento. O objetivo da avaliação de uma criança com estatura baixa é identificar o subconjunto de crianças com causas patológicas (tais como síndrome de Turner, doença inflamatória do intestino, ou deficiência de hormonal de crescimento, por exemplo). A avaliação também verifica a gravidade da baixa estatura e trajetória de crescimento provável, para facilitar as decisões sobre a intervenção, se for o caso.

Variações normais de crescimento:
– Baixa estatura familiar
– Atraso constitucional do crescimento e puberdade
– Estatura baixa idiopática
– Criança Pequena para de idade gestacional (PIG)

Causas patológicas de deficiências do crescimento:
– Doenças sistêmicas com efeitos secundários sobre o crescimento
– Subnutrição
– Corticoterapia / síndrome de Cushing
– Doença gastrointestinal / reumatológica
– Doença renal crônica
– Câncer
– Doença pulmonar e/ou cardíaca
– Doença imunológica
– Doenças metabólicas e/ou endócrinas
– Hipotireoidismo
– Deficiência de hormônio de crescimento
– Precocidade sexual (puberdade precoce)

Simone Biles no treino de pódio (Foto: Reuters)
Baixa estatura pode favorecer atletas em algumas modalidades, mas não impede prática de outros esportes (Foto: Reuters)

Doenças genéticas com efeitos primários sobre o crescimento
– Mutações SHOX (no cromossomo X)
– Síndromes: Prader-Willi / Russell-Silver / Noonan / Morquio A/ Turner
– Displasias esqueléticas: há uma variedade de tipos, com fenótipos muito variáveis, incluindo a acondroplasia (nanismo), hipocondroplasia, displasia espondiloepifiseal e osteogênese imperfeita.

Em pacientes para os quais a história e exame físico não sugerem um diagnóstico particular, testes de triagem de laboratório são indicados. Triagem para a doença celíaca também é recomendado. Um cariótipo deve ser realizado em todas as meninas com baixa estatura inexplicável e em meninos com anormalidades genitais associadas.

As idades ósseas de raios-x devem ser obtidas e analisadas por um perito. Isto dá uma indicação do potencial de crescimento restante da criança e pode estreitar o diagnóstico diferencial. Um exame do esqueleto deve ser reservado para pacientes com suspeita de displasia esquelética, tais como aqueles com as proporções corporais anormais ou uma altura substancialmente inferior ao desvio considerado padrão. Todos esses exames devem ser escolha do especialista.

vôlei líbero fabi brasil cuba (Foto: FIVB)
Bicampeã olímpica pela seleção brasileira de vôlei, Fabi é menor do que as companheiras (Foto: FIVB)

O que fazer?
Após descartar todas essas possibilidades acima, o esporte é a melhor indicação para tratar as variações normais de crescimento. No caso de doenças, as mesmas devem ser tratadas individualmente pelo especialista. O esporte proporciona o desenvolvimento de diversos aspectos positivos, entre eles podemos citar:

– Capacidade de coordenação: neste grupo estão as ações e habilidades motoras e as técnicas desportivas que são obtidas como processo de aprendizagem sensório-motora;
– Capacidade afetivo-cognitiva: o ápice deste processo acontece com idade entre 9 e 12 anos, quando a criança demonstra maior vontade de concentrar-se para aprender;
– Componentes psicodinâmicos: grupo importante trabalhado para a obtenção de uma boa capacidade psicomotora, trabalhada com variação dos exercícios de aprendizagem;
– Capacidades condicionantes e desenvolvimento: aumenta a resistência, força, velocidade e flexibilidade, aqui entra o crescimento e desenvolvimento ósseo.

A movimentação corporal, proporciona lazer e entretenimento. A prática esportiva pode ser adaptada de acordo com as condições físicas dos participantes. Mesmo com baixa estatura é possível praticar qualquer esporte, pois isso só irá estimular mais e desenvolver todas esses aspectos.

fonte: globoesporte.com

 

texto: ANA PAULA SIMÕES
Mestre em ortopedia e traumatologia pela Santa Casa de São Paulo. Especialista e delegada regional do Comitê de Traumatologia esportiva, médica assistente do grupo de traumatologia da Santa Casa de São Paulo e da Sociedade Brasileira de Futebol Feminino e membro da Sociedade Brasileira de Medicina Esportiva. 

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