segunda-feira, maio 16, 2022
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Perda de olfato pode ser um indicador precoce da doença de Alzheimer

Pesquisadores do Instituto de Neurociências de Castela e Leão (Incyl) e do Instituto Cajal de Madri colaboram no estudo do sentido mais enigmático

JPA/DICYT A perda de olfato pode ser uma pista no diagnóstico precoce de doenças neurodegenerativas como o mal de Parkinson ou a doença de Alzheimer. No entanto, este sentido é um dos mais desconhecidos e menos estudados, de modo que os cientistas não sabem quais são os mecanismos que explicariam esta conexão. Assim detalhou no dia 27 de abril em Salamanca o pesquisador Ángel Acebes, do Instituto Cajal de Madrid, pertencente ao CSIC, que colabora com cientistas do Instituto de Neurociências de Castela e Leão (Incyl) na Rede Olfativa Espanhola.

Ángel Acebes explicou em uma conferência alguns avanços de seu grupo de pesquisa. Durante os últimos 10 anos trabalhou com o inseto Drosophila melanogaster, conhecido como mosca da fruta ou mosca do vinagre, que serve como modelo genético para estudar doenças, dentre elas, o Parkinson ou o Alzheimer. “Apresentarei os últimos dados sobre a redução do número de sinapses, porque se sabe que no começo do Alzheimer ocorre a perda destas conexões”, comentou em declarações a DiCYT.

A sinapse é “a maneira através da qual um neurônio fala com outro, é o beijo que os neurônios se dão para transmitir-se informações”, de modo que nosso interesse está em poder encontrar ferramentas para restabelecer essa perda do número de sinapses, antes de que aconteçam todos os processos de morte dos neurônios característicos das doenças neurodegenerativas”, afirma.

Com efeito, sua equipe desenvolveu uma estratégia que permite aumentar o número de sinapses. “Estamos tentando tratar moscas que possam mimetizar o que acontece no Alzheimer. Não curaremos humanos estudando moscas, mas entenderemos como a doença evolui e tentaremos parar essa perda de sinapses nas moscas de um modo precoce para tentar encontrar uma melhora”, afirma.

Olfato e doenças

A colaboração com o Incyl foi estabelecida através da equipe de Eduardo Weruaga e José Ramón Alonso no contexto da Rede Olfativa Espanhola. A princípio tratava-se de uma linha de pesquisa radicalmente diferente da do Alzheimer. Contudo, o modelo utilizado pelos pesquisadores do Instituto Cajal para estudar ambas é a mosca da fruta e existe uma interessante conexão.

“Há uma ligação entre ambos, existem anosmias (perda do sentido do olfato) relacionadas com o Alzheimer ou o Parkinson, já que os pacientes destas doenças começam a perder o olfato e ainda não sabemos como, de forma que poderia ser um indicador precoce de doenças como o Alzheimer”.

O objetivo geral da rede é saber como funciona o processo olfativo, “como o cérebro reconhece os odores, produzindo uma mudança de comportamento ou uma evocação da memória”, afirma Acebes. Existe pouca pesquisa, mas “já começamos a entender como um odor é processado e as áreas do cérebro relacionadas com a memória olfativa, que é muito forte”.

Muitos aspectos do olfato são desconhecidos e, exatamente por isso “é um sentido no qual se deve investir”, afirma o cientista, que reclama da falta de orçamento. Fatores como rinites, gripes, golpes ou uma cirurgia cerebral acarretam, em alguns casos, a perda do olfato, e ainda não se sabe quais neurônios são perdido ou quais sinapses deixam de acontecer.

Fonte : dicyt.com
Imagem :Shutterstock

 

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