domingo, outubro 17, 2021
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DEPRESSÃO ATINGE UM TERÇO DOS JOGADORES DO FUTEBOL EM ATIVIDADE

Depressão entre jogadores de futebol. O assunto veio à tona com o pedido de afastamento do jogador Nilmar, do Santos. Diagnosticado com a doença, não por acaso, mas porque teve acesso a um profissional de psicologia. O caso revela uma exceção no futebol brasileiro. Entre os 20 clubes da série A do Brasileiro, apenas cinco têm psicólogos dedicados exclusivamente ao time profissional. Atlético-PR, Flamengo, Santos, São Paulo, Sport e Vasco são as equipes que mantêm trabalho contínuo e diário com psicólogos. Os profissionais participam da rotina e de praticamente todas as conversas do grupo. Fazem relatórios, têm conversas individuais e recebem encaminhamentos feitos pelas comissões técnicas. Os jogadores não são obrigados a conversar com os profissionais, mas têm à sua disposição um ambiente propício ao tratamento, sempre que precisam.

DEPRESSÃO ATINGE UM TERÇO DOS JOGADORES DO FUTEBOL EM ATIVIDADE

Estudo mostra que os atletas também sofrem com distúrbios do sono e estresse. Pesquisa ouviu 826 jogadores

Jogadores em atividade.

 Um novo estudo divulgado pelo FIFPro, o sindicato internacional dos atletas, mostra que sintomas de depressão e ansiedade são mais comuns do que se imagina entre jogadores e ex-jogadores de futebol. E que o problema está se espalhando na categoria.De acordo com o levantamento, 38% dos 607 jogadores em atividade e 25% entre os 219 ex-jogadores disseram ter sofrido de depressão ou ansiedade nas quatro semanas anteriores a que foram entrevistados. O número não apenas confirma a gravidade do problema relatada na pesquisa anterior, do ano passado, como também mostra que ele está aumentando. No estudo anterior do FIFPro, 26% dos jogadores relataram ter sofrido de depressão e ansiedade.

– O percentual de jogadores que sofrem de problemas de saúde mental aumentou ligeiramente, mas o resultado principal é que este último estudo confirma o anterior de que os jogadores profissionais são propensos a relatar os problemas durante ou após a sua carreira. Todas as partes interessadas no futebol profissional precisam ser mais conscientes sobre os problemas de saúde mental que possam ocorrer no futebol profissional – afirmou Vincent Gouttebarge, médico que coordenou a pesquisa.O estudo do FIFPro também mostra que há uma correlação entre lesões sérias e depressão. Atletas que tiveram três ou mais contusões graves estão entre duas e quatro vezes mais propensos a sofrer com esses problemas.

– É crucial estabelecer um grupo de trabalho sobre esse importante tema. Os resultados do estudo justificam uma abordagem multidisciplinar para um jogador de futebol gravemente lesionado. Após a cirurgia, o médico responsável e o cirurgião ortopédico devem estar cientes da possível ocorrência de sintomas de problemas de saúde mental que podem acompanhar estes tipos de lesões – destaca Gouttebarge.

O médico reconhece que os clubes são muito focados na saúde dos jogadores a curto prazo, “a fim de capacitar os atletas para o desempenho em campo”. Mas ele acredita que os clubes poderiam dar mais atenção aos jogadores para evitar que eles sofram destes problemas no futuro.

– Uma das principais medidas para prevenir a ocorrência de problemas de saúde mental no longo prazo (por exemplo, depois de sua aposentadoria), é ter atenção na fase inicial do planejamento da carreira. O clube poderia dar mais atenção para a educação adequada dos jogadores – afirmou.

DISTÚRBIOS DO SONO E ESTRESSE

Além de depressão e ansiedade, 23% dos atletas e 28% dos ex-atletas disseram sofrer de distúrbios do sono. Outros 15% dos atletas e 18% dos ex-atletas reportaram sofrer com problemas de estresse. Problemas como abuso de álcool foram relatados por 9% dos jogadores e 25% dos ex-atletas. O consumo de cigarro ocorre entre 4% dos atletas e 11% dos ex-atletas.

Capa do estudo do FIFPro – Reprodução / Reprodução

Na pesquisa anterior, o número de jogadores fumantes era de 7%, enquanto os que apresentavam problemas com álcool era de 19%. Gouttebarge acredita que a diminuição dos números tem relação com um maior cuidado dos atletas com a saúde.

– Podemos dizer que o estilo de vida dos jogadores melhorou. Me parece que alguns aspectos do estilo de vida dos jogadores são especialmente algo para se concentrar quando um jogador se aposenta.

A pesquisa contou com dados fornecidos por jogadores de Bélgica, Chile, Finlândia, França, Japão, Noruega, Paraguai, Peru, Espanha, Suécia e Suíça. Dos entrevistados, 55% passaram a maior parte da carreira atuando no mais alto nível. O mesmo aconteceu com 64% dos ex-atletas.

– Esperamos que o estudo aumente o alerta e o compromisso de todas as partes interessadas no futebol a colocar medidas de apoio em prática, então estes que sofrem de problemas mentais irão saber que não estão sozinhos – afirma Gouttebarge. – O presente estudo é um primeiro passo necessário e, em última análise, propõe medidas preventivas e de apoio adequadas destinadas a proteger e capacitar a saúde sustentável de jogadores e ex-jogadores.

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